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Concurso SESC – Mogi das Cruzes

No primeiro semestre de 2025 o IAB- SP – Instituto dos Arquitetos do Brasil e o SESC SP, lançou o concurso de projetos para a instalações na cidade de Mogi das Cruzes.

Montamos uma equipe de arquitetos:

Marineia Lazzari Chiovatto

Jane Marta e

Paulo Pinhal

Requalificação da Frente do SESC Mogi das Cruzes

A implantação do SESC Mogi das Cruzes representa uma conquista significativa para a população, fruto do empenho coletivo de artistas, atletas e cidadãos que mobilizaram campanhas em prol da vinda da instituição para a cidade. Esse esforço encontrou eco na liderança de Ayrton Nogueira, então Presidente do Sincomércio, que vislumbrou o potencial transformador do equipamento para a comunidade.

Para viabilizar sua instalação de forma estratégica e acessível, a Prefeitura cedeu um Centro Esportivo subutilizado, situado em uma localização privilegiada, próximo à Rodoviária e à Estação Ferroviária, além de estar inserido em um contexto urbano consolidado, ao lado do Centro Cívico. Esta região já abrange importantes edificações institucionais, como a Prefeitura, o Fórum e universidades, proporcionando uma infraestrutura urbana rica em serviços públicos e facilitando o acesso da população ao equipamento.

Inicialmente, a adaptação do SESC às instalações preexistentes ocorreu de maneira gradual, o que levou a uma recepção tímida por parte da comunidade. Ainda hoje, muitos mogianos referem-se ao espaço como o “Centro Esportivo do Socorro”. Diante desse desafio, tornou-se essencial uma estratégia de requalificação da entrada e da interface urbana do equipamento, a fim de consolidar sua identidade como um polo social e cultural ativo na cidade.

A intervenção urbana proposta traz a portaria principal para um novo eixo de visibilidade, situado na esquina entre a Avenida João XIII e a Rua Rogério Tacola. Essa escolha dialoga com a readequação do sistema viário na região e favorece uma integração orgânica entre a praça adjacente e a entrada do SESC. Dessa forma, a praça não apenas qualifica o espaço público, mas também funciona como um foyer ao ar livre, estreitando a relação entre o fluxo urbano e as atividades promovidas pelo equipamento.

A proposta respeita e preserva as árvores existentes, garantindo a manutenção da ambiência vegetal do local. Arquitetonicamente, a nova estrutura será implantada no nível da rua, com um subsolo projetado para acomodar setores administrativos, secretaria e outras dependências funcionais. O acesso à portaria será democratizado por meio de uma escada, rampa e elevadores, assegurando condições de acessibilidade universal.

Assim, a requalificação da frente do SESC Mogi das Cruzes busca fortalecer sua presença na cidade, tornando-o mais convidativo, funcional e integrado ao espaço urbano, consolidando seu papel como referência sociocultural para a população mogiana.

Proposta de Projeto Arquitetônico para o SESC Mogi das Cruzes

1. Introdução

O presente projeto arquitetônico para o SESC Mogi das Cruzes propõe a criação de um espaço inovador, sustentável e harmonioso, que valorize a interação entre o ambiente construído e a natureza. Sendo o SESC um importante polo cultural, educacional e social, buscamos desenvolver uma arquitetura que respeite os princípios da sustentabilidade, promovendo o bem-estar dos usuários e a preservação do patrimônio ambiental existente.

A cidade de Mogi das Cruzes, apesar de sua riqueza paisagística e da proximidade com a Serra do Itapety, possui áreas urbanas que carecem de vegetação devido ao crescimento desordenado e aos desmatamentos históricos. Diante desse panorama, o projeto se propõe a ser um modelo de integração entre arquitetura e meio ambiente, valorizando a vegetação existente e reforçando a identidade ecológica e cultural da região.

2. Conceito e Diretrizes Arquitetônicas

O projeto é pautado na ideia de criar um espaço que respeite e amplifique os elementos naturais presentes, especialmente as árvores que compõem a paisagem do SESC Mogi das Cruzes. Para isso, adotamos os seguintes princípios:

  • Integração com a Natureza: Ao invés de remover árvores para dar lugar a novas construções, as edificações serão adaptadas para coexistir com a vegetação preexistente, garantindo a preservação ambiental e o equilíbrio ecológico.
  • Arquitetura Sustentável e Bioclimática: Serão aplicadas soluções que favorecem o conforto térmico e lumínico natural, minimizando a necessidade de climatização artificial e reduzindo o consumo de energia.
  • Espaços Abertos e de Convivência: Serão priorizados ambientes que incentivem o convívio social e a interação entre os frequentadores, com praças arborizadas, áreas de descanso e espaços multifuncionais.
  • Mobilidade Acessível e Inclusiva: O projeto adotará uma abordagem universal, garantindo acessibilidade para todos os públicos, incluindo circulação segura e confortável para pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.
  • Uso de Materiais Sustentáveis: Sempre que possível, serão utilizados insumos ecoeficientes, recicláveis e de baixo impacto ambiental, priorizando materiais regionais para reduzir a pegada de carbono.

3. Preservação da Vegetação e Paisagismo

A vegetação existente no SESC Mogi das Cruzes é um dos seus maiores patrimônios naturais e, por isso, o projeto terá como premissa a preservação das árvores que compõem a paisagem do local. Sendo assim, propomos:

  • Manejo sustentável da vegetação, garantindo a proteção das raízes e troncos das árvores durante a execução da obra, e incorporando-as de forma estratégica no desenho arquitetônico.
  • Utilização de pavimentos permeáveis para minimizar o impacto sobre o solo, permitindo a ampliação da absorção da água da chuva e reduzindo o risco de compactação das áreas verdes.
  • Criação de corredores ecológicos que conectem os fragmentos de vegetação existentes, favorecendo a biodiversidade local e promovendo um espaço mais rico ambientalmente.
  • Espaços educativos sobre meio ambiente, valorizando as árvores como elementos fundamentais para o equilíbrio climático e a qualidade de vida, incentivando a conscientização dos frequentadores.

4. Soluções Arquitetônicas e Estruturais

Diante dos desafios de equilíbrio entre estrutura construída e meio ambiente, propomos soluções técnicas que minimizem impactos e garantam a eficiência do projeto:

  • Estruturas elevadas e suspensas, reduzindo a necessidade de movimentação de terra e permitindo que árvores e raízes sejam preservadas.
  • Telhados verdes e jardins verticais, promovendo o isolamento térmico natural e ampliando a área verde do projeto.
  • Aproveitamento da ventilação cruzada e iluminação natural, diminuindo a necessidade de uso de sistemas artificiais de climatização e iluminação.
  • Captação e reuso de águas pluviais, otimizando o uso dos recursos hídricos no complexo.
  • Sistema de energia fotovoltaica, reduzindo o impacto ambiental e os custos operacionais do SESC.

5. Conclusão

Este projeto busca consolidar o SESC Mogi das Cruzes como um modelo de arquitetura sustentável e integrada ao meio ambiente. A proposta arquitetônica aqui apresentada não é apenas uma solução construtiva, mas um compromisso com a preservação da natureza, o desenvolvimento sustentável e a criação de espaços que promovam cultura, lazer e educação de maneira responsável.

Com essa abordagem, o SESC poderá ampliar suas atividades sem comprometer seus recursos naturais, tornando-se um exemplo para a cidade e seus frequentadores sobre como é possível crescer em harmonia com o meio ambiente.

Este documento reforça a importância da adaptação arquitetônica ao contexto paisagístico, garantindo que o projeto respeite e valorize as riquezas naturais do SESC Mogi das Cruzes, dando origem a um espaço inovador, sustentável e essencial para a comunidade.

Estudo para acessibilidade no prédio da Camara Municipal de Mogi das Cruzes

O prédio principal da Camara Municipal , concebido na década de
1970 pelo arquiteto Eduardo Corona, éum exemplar significativo da
arquitetura moderna brasileira.
Eduardo Corona, desenvolveu oprojeto valorizando a integração
entre forma e função, respeitando o contexto ambiental e social.

A acessibilidade em prédios públicos é garantida por leis como a Lei nº
10.098/2000 e o Decreto nº 5.296/2004, que estabelecem normas
para eliminar barreiras arquitetônicas e assegurar o acesso de pessoas
com deficiência ou mobilidade reduzida.
A ABNT NBR 9050:2020 é a norma brasileira que estabelece critérios e
parâmetros técnicos para a promoção da acessibilidade em edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. Seu objetivo é garantir que ambientes sejam utilizados de forma autônoma, independente e segura pelo maior número possível de pessoas, independentemente de idade,
estatura ou limitações de mobilidade ou percepção

Museu Akinori Nakatani

“Fragmentos de Memórias – A Cerâmica de Akinori Nakatani”

Autor: Paulo Pinhal

Em meio aos sussurros do vento que atravessam o Casarão do Chá, a essência de Akinori Nakatani ressoa entre as paredes centenárias. Um espaço que se propõe não apenas a guardar memórias, mas a despertar a imaginação por meio da cerâmica que transcende o simples objeto. A arte de Nakatani, marcada por um individualismo áspero e profundo, ganha vida em  Mogi das Cruzes, onde a beleza da mata e a ancestralidade se entrelaçam em uma narrativa única.

Visitar o Museu que estará próximo ao Casarão do Chá é embarcar em uma jornada visual e sensorial. As cerâmicas de Nakatani, com suas formas assimétricas e orgânicas, evocam memórias de paisagens áridas, mas também sussurram histórias de civilizações míticas. Cada peça é um fragmento de um mundo que existe apenas na mente do artista, e agora, sob a luz do Casarão, esses fragmentos tornam-se vislumbres para o nosso olhar curioso.

Em meio à azuis e violetas delicados que afloram nas superfícies de barro, os visitantes encontram pequenas narrativas fantásticas. As escadas sinuosas que parecem levar a lugares imaginários, homens de barro que dão vida a lendas, e enigmas que provocam reflexões. Através da cerâmica de Nakatani, somos convidados a escutar o silêncio e a atenção que o artista dedicou a cada significativa expressão.

Com o passar dos anos, o legado de Nakatani não se torna apenas um eco distante, mas uma batida pulsante que vive no presente. O Casarão do Chá e o Museu Nakatani se torna um ponto de referência turístico e cultural, onde a erosão e a gênese de sua arte se entrelaçam com a história local. Lá, a cerâmica não será apenas uma representação; é um diálogo entre passado e presente, entre o tangível e o etéreo.

Descrição do Projeto Arquitetonico: 

“Ecos da Cerâmica – Consolidação em Escala”

A obra escolhida como base para este projeto é uma peça emblemática de Akinori Nakatani, que captura de forma sublime a essência de sua arte. A cerâmica, que se destaca por sua forma irregular e orgânica, é uma representação fiel do individualismo que Nakatani imprimiu em seu trabalho. Esta peça específica, com sua textura assimétrica e fragmentada, evoca memórias do deserto e nos transporta a uma jornada sensorial.

No contexto do projeto, procuramos replicar e expandir os elementos que se destacam na obra do ceramista, trazendo à tona sua profundidade e complexidade. As tonalidades de azul e violeta, que se manifestam em delicadas variações, foram amplificadas, criando um efeito que ensina a visão a dançar entre a suavidade e a intensidade, refletindo a espiritualidade que permeia a cerâmica de Nakatani.

A superfície da peça é uma tapestria de texturas, onde as áreas suaves e ásperas se entrelaçam, evocando a conversa entre o natural e o humano. Cada cratera e cavidade são propostos como uma continuidade da erosão e gênese, reforçando a ideia de que a obra é um ser vivo, em constante transformação. Essa caracterização orgânica é fundamental para a proposta, que visa solidificar essa experiência em uma escala maior, buscando não apenas a contemplação, mas uma conexão emocional com o espectador.

A instalação que emerge desse conceito é uma homenagem ao legado de Nakatani, um espaço onde a cerâmica é mais do que um objeto: ela é um meio de narrativa, uma forma de expressão que se desenrola perante o público. Essa consolidação em escala não apenas celebra a singularidade da obra, mas também convida todos a uma reflexão sobre suas próprias memórias e experiências, permitindo que cada um encontre um fragmento de sua própria história na suavidade dos azuis e na complexidade das formas.

A proposta final é um encadeamento entre a tradição e a contemporaneidade, onde a obra de Nakatani não se limita a um passado distante, mas ressoa no presente, promovendo um diálogo contínuo entre o artista, suas criações, e aqueles que têm a oportunidade de se conectar com sua arte. A experiência se transforma assim em um convite para que todos explorem os ecos de sua cerâmica, solidificando ainda mais a presença de Akinori Nakatani no cenário cultural de Mogi das Cruzes.

Os visitantes, ao adentrarem o espaço, se tornam participantes ativos dessa narrativa. Suas emoções são convidadas a fluir junto às obras, permitindo que a essência de Nakatani se perpetue. O Casarão, com suas paredes resguardando o murmúrio das histórias, se transforma em um santuário, e o Museu Nakatani onde cada curva e cada cor contam uma nova versão da vida que brota da terra.

A história de Akinori Nakatani continua viva, não apenas na terra, mas na mente e no coração de todos que se permitem ser tocados por suas criações. O projeto, ao unir arte e cultura em um espaço tão cheio de significados, torna-se uma celebração da imaginação e da forma como o silêncio pode ecoar em uma dança de cores e texturas, convidando cada um a descobrir seu próprio fragmento de memória.

Caminhando por Mogi:

A Resistência dos Povos Indígenas e Negros”

Parceria com o SESC – Mogi das Cruzes.

Olá, sejam bem-vindos a Mogi das Cruzes!

Nossa jornada de hoje nos levará por um passeio pelo centro histórico da cidade, desvendando as marcas da presença dos povos originarios e dos negros na construção da identidade mogiana.

Antes de iniciarmos nosso passeio, é fundamental reconhecer que, muito antes da chegada dos colonizadores, esta terra já pulsava com a força e a sabedoria dos povos indígenas, os verdadeiros donos desta terra. A história de Mogi se entrelaça com a história de luta e resistência dos povos originários, e carregamos essa herança em nosso solo.

Os índios e a formação de Mogi das Cruzes

A história de Mogi das Cruzes está intrinsecamente ligada aos povos indígenas, especialmente os Guaianazes, que habitavam a região muito antes da chegada dos colonizadores europeus. A participação desses povos originários foi fundamental para o estabelecimento e o desenvolvimento inicial da cidade.

Presença ancestral:

Antes da fundação oficial de Mogi das Cruzes em 1611, os Guaianazes já ocupavam a região do Alto Tietê. Seus conhecimentos sobre o território, a flora e a fauna locais foram essenciais para a sobrevivência dos primeiros colonizadores.

Fundação da cidade:

A interação inicial entre os Guaianazes e os portugueses foi relativamente pacífica, o que facilitou o estabelecimento do povoado que viria a se tornar Mogi das Cruzes. Os indígenas auxiliaram os recém-chegados a se adaptar ao novo ambiente, compartilhando técnicas de cultivo e conhecimentos sobre plantas medicinais.

Contribuições culturais:

A influência indígena pode ser percebida em diversos aspectos da cultura mogiana. Nomes de lugares, técnicas de agricultura, hábitos alimentares e o uso de plantas medicinais são exemplos claros dessa herança.

Mão de obra e conhecimento local:

Os índios foram fundamentais como mão de obra nos primeiros anos da colonização, participando da construção das primeiras edificações e do cultivo das terras. Seu conhecimento sobre as rotas fluviais e terrestres também foi crucial para a expansão do povoado.

Desafios e conflitos:

Com a chegada dos portugueses no século XVI, os Guaianases sofreram com a invasão de seus territórios, a escravidão e as doenças trazidas pelos europeus.

  • Resistência: Inicialmente, os Guaianases resistiram à presença portuguesa, mas foram, aos poucos, sendo dominados pela superioridade bélica dos colonizadores.
  • Escravização: Muitos Guaianases foram escravizados e obrigados a trabalhar nas plantações de cana-de-açúcar e outras atividades.
  • Catequização: Os jesuítas também atuaram na catequização dos Guaianases, buscando convertê-los ao cristianismo.
  • Miscigenação: A longo prazo, a interação entre portugueses e Guaianases levou a um processo de miscigenação, com a formação de uma população mestiça.

Legado linguístico:

Muitos topônimos da região têm origem indígena, como o próprio nome “Mogi”, que significa “rio das cobras” na língua tupi. Isso demonstra a profunda influência indígena na formação da identidade local e ai temos Taiaçupeba, Jundiapeba, Biritiba Ussu, Itapety, Botujuru, Rua Ipiranga entre outros.

Miscigenação e formação da população:

A mistura entre indígenas, portugueses e, posteriormente, africanos, contribuiu para a formação da população mogiana, criando uma rica diversidade cultural.

O Negro em Mogi das Cruzes

A escravidão no Brasil tem suas raízes no início do período colonial, quando os portugueses, após chegarem em 1500, começaram a explorar as terras recém-descobertas. Inicialmente, tentaram escravizar os povos indígenas, mas devido à resistência nativa, às doenças trazidas pelos europeus e à proteção de alguns setores da Igreja Católica, essa prática não se sustentou em larga escala.

Com o desenvolvimento da economia açucareira no Nordeste no século XVI, a demanda por mão de obra aumentou significativamente. Os portugueses, já familiarizados com o tráfico de escravos na África, voltaram-se para este continente como fonte de trabalho forçado. Assim, a partir de meados do século XVI, iniciou-se o tráfico transatlântico de africanos escravizados para o Brasil.

Os africanos eram capturados em diversas regiões da África, principalmente na costa ocidental, e forçados a atravessar o Atlântico em condições desumanas. Ao chegar ao Brasil, eram vendidos como mercadorias e distribuídos por diferentes regiões do país, de acordo com as necessidades econômicas de cada área.

À medida que a colonização avançava para o interior, os escravizados eram levados para novas fronteiras econômicas. No caso de São Paulo, a presença de africanos e seus descendentes se intensificou com o desenvolvimento da agricultura e, posteriormente, com o ciclo do ouro no século XVIII.

Foi neste contexto de expansão e desenvolvimento econômico que os africanos escravizados chegaram a Mogi das Cruzes. Fundada em 1611, a cidade de Mogi das Cruzes, localizada no que hoje é conhecido como Alto Tietê, tornou-se um importante ponto de passagem e estabelecimento na rota entre o litoral e o interior paulista.

A participação do negro na construção da cidade de Mogi das Cruzes é um capítulo fundamental na história local. A presença e a contribuição dos africanos e seus descendentes em Mogi das Cruzes são elementos essenciais na formação da identidade e cultura local. Assim como os indígenas e os portugueses, os africanos desempenharam um papel crucial na construção da cidade, tanto no aspecto econômico quanto cultural.

As marcas do negro na cidade

Conforme caminhamos pelas ruas de paralelepípedos, observem as construções ao redor. Imaginem o suor, a força e a habilidade das mãos negras que ergueram cada tijolo destas casas, igrejas e monumentos. A mão de obra escravizada africana foi fundamental para o desenvolvimento econômico de Mogi, impulsionando, em especial, os ciclos do café e da cana-de-açúcar.

Adentrando o centro histórico, podemos observar casarões coloniais que testemunharam o trabalho doméstico realizado por homens e mulheres negras. Imaginem as histórias que essas paredes guardam: alegrias, tristezas, cantos de trabalho e de esperança sussurrados em idiomas trazidos de terras distantes.

Pontos à observar:

  1. Calçadas Estreitas e Posição Social:
  • Observação: Os escravos eram forçados a trabalhar na construção da cidade. Eles construíam calçadas estreitas porque era isso que os donos e as autoridades queriam.
  • Depois, quando andavam pela cidade, eles tinham que usar essas mesmas calçadas estreitas que eles próprios ajudaram a construir. As calçadas estreitas tornavam difícil para os escravos se moverem livremente ou se reunirem em grupos nas ruas.
  • É como se os escravos fossem obrigados a criar obstáculos para si mesmos, sem ter escolha no assunto. Isso mostra como a escravidão afetava todos os aspectos da vida dos escravizados, até mesmo a forma como eles podiam se movimentar nas cidades que ajudaram a construir.
  1. Materiais de Construção:
  • Exame Detalhado:
  • Ao observarmos construções históricas, nossa atenção é frequentemente atraída pela imponência de pedras e tijolos, testemunhas silenciosas do passado. Essas estruturas não apenas contam histórias de grandeza e poder, mas também lembram a complexidade dos processos de construção ao longo dos séculos. No entanto, é crucial lembrar que a produção desses materiais e a própria construção dependiam do trabalho árduo e forçado de africanos escravizados.
  • Discussão Histórica:
  • Essa realidade se conecta diretamente ao documento em questão, que destaca o papel crucial dos escravos na economia colonial. É preciso confrontar a disparidade gritante entre o trabalho pesado realizado pelos escravizados, que contribuíram significativamente para a riqueza e o desenvolvimento das cidades, e as condições precárias e desumanas em que eram forçados a viver. Essa análise nos obriga a refletir sobre as injustiças do passado e suas repercussões no presente.

Igrejas e a Fé como Consolo

Reflexão:

Ao passarmos por igrejas, é inevitável reconhecer a complexa relação entre a religião católica e os africanos escravizados. Inicialmente, o catolicismo foi imposto como uma ferramenta de dominação cultural e espiritual, servindo aos interesses coloniais de uniformidade religiosa e controle social. No entanto, com o tempo, essas mesmas igrejas se transformaram em espaços de refúgio e preservação cultural. Para muitos africanos escravizados, a fé católica, embora imposta, tornou-se uma fonte de consolo espiritual e uma maneira de manter vivas suas tradições e identidades culturais, muitas vezes de forma sincrética.

Resistência Cultural:

Dentro desse contexto, surgiram as irmandades religiosas negras, que desempenharam um papel crucial na resistência cultural e no apoio mútuo entre os escravizados. Essas irmandades funcionavam como comunidades de suporte, oferecendo não apenas assistência espiritual, mas também social e econômica. Incorporando elementos africanos em suas práticas religiosas e festividades, essas organizações desafiavam silenciosamente a hegemonia cultural imposta. Assim, as igrejas, paradoxalmente, tornaram-se locais onde a resistência cultural e a adaptação se entrelaçaram, permitindo que a rica herança africana sobrevivesse e florescesse sob a superfície do domínio colonial.

Artigo de Paulo Pinhal

Almas Resilientes: O Legado Vivo de Indígenas e Negros em Mogi das Cruzes

Mogi das Cruzes, uma cidade rica em história e cultura, carrega em suas raízes a profunda influência dos povos indígenas e negros. Apesar das tentativas históricas de apagamento e subjugação, o legado desses povos permanece vivo e palpável, ressoando através dos tempos.

Os indígenas, habitantes originais da região, enfrentaram a colonização com bravura e resistência. Embora muitos tenham sido exterminados ou deslocados, sua presença ainda pode ser sentida na alma da cidade. Os nomes de rios, bairros e ruas são testemunhas silenciosas de sua existência. Mais do que isso, a relação íntima com a natureza, o respeito pelos ciclos naturais e o uso sustentável dos recursos são práticas herdadas dessas comunidades, que continuam a influenciar a cultura local.

Por outro lado, os negros, trazidos à força da África, desempenharam um papel crucial no desenvolvimento de Mogi das Cruzes. Mesmo sendo sistematicamente apagados da narrativa oficial, sua contribuição é inegável. Os conhecimentos ancestrais africanos se manifestam na arquitetura, no traçado das ruas e nas técnicas de construção das casas, que muitas vezes incorporam elementos de resistência e adaptação ao clima local. As festas, a música e a culinária também carregam essa herança, sendo fontes de identidade e orgulho para muitos mogianos.

A presença negra é visível nas tradições culturais e religiosas que permeiam a cidade. Festas como a Congada, Moçambique e Marujadas, são celebrações vivas da resistência e da cultura afro-brasileira, mantendo viva a chama da ancestralidade. Além disso, o sincretismo religioso, que mescla elementos africanos com o catolicismo, é um testemunho da resiliência e da capacidade de adaptação desses povos.

Em Mogi das Cruzes, a história dos povos indígenas e negros é uma narrativa de resistência e resiliência. Apesar das tentativas de apagamento, suas almas continuam a habitar a cidade, influenciando a cultura, as tradições e a identidade local. O reconhecimento e a valorização desse legado são essenciais para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva, que honra suas verdadeiras raízes e aprende com elas. Assim, Mogi das Cruzes não apenas preserva sua história, mas também celebra a diversidade e a riqueza cultural que esses povos trouxeram e continuam a trazer para a cidade.

Capsula – amós

Capsula Amós

Características

A Cápsula é sistema modular pré-fabricado para construção e que se baseia na múltipla acoplagem de uma Peça Estrutural Básica, caracterizada por possuir três faces retangulares e perpendiculares entre si e que possibilitam a criação de espaços habitacionais com agilidade, praticidade.

Uma unidade da Cápsula é montada com apenas 4 peças estruturais básicas, mas existe também a possibilidade de se montar duas ou mais Cápsulas de forma conectada ou sobreposta, possibilitando assim a ampliação do ambiente e a fácil modificação do lay-out, de forma prática e rápida.

O sistema possui ainda peças retangulares que igualmente se encaixam entre si e formam o piso da Cápsula. Opcionalmente, a Cápsula pode ser instalada diretamente sobre pisos existentes (ex.: Radiers).

As peças estruturais da Cápsula são fabricadas em fibra de vidro, laminados com Resina Natural (Poliuretano Vegetal) originado do Óleo de Mamona, que além de ecológicos, são atóxicos, inodoro e ainda propiciam isolamento termo-acústico para o ambiente.

As Cápsulas podem ser fabricadas em diversos tamanhos/áreas para atender diversas demandas: 3m x 3m (9 m²) – 4m x 4m (16 m²) – 5m x 5m (25 m²) ou 6,50m X 6,50m (42,25 m² – Minha Casa Minha Vida), etc…

Devido a geometria particular da Cápsula, suas partes podem ser facilmente empilhadas em pouco espaço, o que permite o transporte de vários módulos para o local de instalação em uma só viagem (Ex.: 9 Cápsulas 3mx3m podem ser transportadas em um Caminhão urbano de menor carga – carroceria de 2,2m x 6,3m). Permite também o fácil transporte em Aviões de Carga e Navios em grandes quantidades.

As peças que formam a Cápsula são leves e permitem uma fácil instalação com apenas poucos montadores, e o sistema de montagem de acoplagem das peças por parafuso permite a rápida montagem no local de instalação.

O material de fabricação da Cápsula dura mais de 50 anos.

A Cápsula é patenteada pelo Engenheiro Amós Oliveira.

Feira Agrícola – Bunkio

Feira Agrícola

Mogi das Cruzes é considerada o cinturão verde da grande São Paulo. Temos aqui um grande número de produtores agrícolas.

Uma feira Agrícola no Bunkio, onde implantamos de maneira a que possa ser fixa atendendo as outras atividades que são desenvolvidas na Entidade, como o Akimatsuri – Festival de outono.

A propriedade do Bunkio possue uma grande área e o espaço que implantamos atualmente não é utilizado, por este motivo é que pensamos em um espaço que quando não estivesse sendo utilizado para as festividades, também serviria como um espaço de lazer.
Nos fundos temos uma praça de alimentação.

A proposta é de ter vários eventos diferentes e que o espaço seja um suporte para isto.

Proposta de 2018.

Cozinha Adolfo

Cozinha Adolfo

Pequeno espaço existente, fizemos propostas para adequar as necessidades do cliente e o seu potencial financeiro.

Obra – 2018 – Mogi das Cruzes.

Seguimos os desejos do cliente
colocamos um balcão para integrar com a sala de jantar
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Espaço goumert

Metrô rodoviário

Metrô Rodoviário

Em 1991 apresentamos uma proposta de mobilidade urbana para a cidade de Mogi das Cruzes.

A proposta era comboios de ônibus que circulariam as margens da linha de trem para fazer a conexão Leste / Oeste.

A ideia foi entendida na época como uma proposta inovadora e acabou sendo aprovada por unanimidade pela Câmera Municipal.

Por conta do monopólio de transporte coletivos na época a ideia ficou pelo caminho.